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O NOVO NORMAL - Coisas de Mulherzinha, por Rosane de Andrade

Colunistas

há 1 mês


13/07/2020 09h54


Nesta pandemia já fiz de tudo um pouco: faxina, escrevi um livro, descobri outro engavetado, recomecei o tricô, matriculei-me em 2 cursos pela internet... e voltei  a assinar jornal. Mas exigi: quero o jornal físico, mesmo tendo-o disponível pela internet.

 

Não quis assinar o da região onde moro, sou meio bairrista e voltei a ler o do estado vizinho, do Rio Grande do Sul... Saudades das ruas de Porto Alegre, quando andar pela Rua da Praia era quase obrigatório porque eu fazia pré-vestibular ali. Comer taça Melba nas Lojas Americanas, ah, um sorvete que lembro e ainda consigo sentir o  gostinho.

 

Minhas memórias são estomacais (em sua maioria) e recordo-me do sorvete na Nevada e os biscoitos com geléia de damasco da Maomé. Sem esquecer o cafezinho com quibe na feira - Brique -  aos domingos na Redenção...

 

Este 'novo normal' que nos cerca não tem mais cheiro, gosto ou sorrisos... nada ao vivo, tudo à distância, e se a gente não domina os meios de comunicação em grupo, as lives da vida, estamos fadados à exclusão desta nova sociedade. E quem não buscar se conectar, se 'trumbica'...ah, saudoso Chacrinha, lembram??? Não é idade nem nostalgia, é cultura televisiva.

 

E aí que hoje folheando minha edição dominical sinto uma estranha nostalgia, uma saudade diferente. Lembro de um eu que não é nem sombra do que sou hoje. Talvez esteja sob os efeitos da reprise da novela O Clone em que Lucas se questiona diante de sua cópia 20 anos mais nova. Lembro de quando eu habitava o cenário que hoje só vive em minha memória. Uma época que se me falassem de vírus, distanciamento eu julgaria a pessoa como sendo louca, 'viajandona'... Um cenário de filme de ficção científica... e das piores: quem é o real vilão?

 

Pessoas que desafiam um vírus aventurando-se sem máscara, que não lavam as mãos nem por decreto e que acham que álcool gel é só pra engordar o cofre dos empresários oportunistas. Pessoas que não amam a si e nem tão pouco o próximo.

 

Pessoas que arrumam um monte de desculpas pra não usarem máscara, que fazem piada da dor alheia e que se julgam 'blindadas' contra o tal vírus. Até que um amigo próximo morra e faça com que tudo seja revisto e lamentado.

 

O 'novo normal' tem de ser exercitado e aceito, porque não sabemos quando tudo terminará e quando poderemos sentir novamente o sol em sua plenitude em todo o nosso rosto, na rua, o vento e podermos ver novamente  sorrisos...

Fonte: Fonte: Coisas de Mulherzinha - Colunista Rosane de Andrade

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